Eu amo falar de mim, mas acho que não trago tanto da Raquel Pessoa Física aqui no blog. Acaba que não lembro ou não acho espaço pra isso... Mas tenho vontade de mesclar os conteúdos, já que resenhas me agradam, porém a vida não é só isso (quem me dera hahaha). Hoje o post vai ser um pouco da vida real e dos últimos acontecimentos :)
Pra quem não sabe, sou Engenheira de Alimentos. Me formei em 2018, numa formatura não-tão-como-eu-queria, mas que foi como eu planejei, com exceção de um acontecimento abalado hahaha Vou deixar abaixo alguns links da época, com planejamento e makes de formatura, que eu gostei muito de fazer:
Agosto de 2018: Contagem regressiva: 6 meses para a formatura!
Setembro de 2018: Makes de formatura
Dezembro de 2018: Último dia de aulas e prova de toga
Agosto de 2019: BEDA #05 - Como fazer uma formatura (quase) sem pirar
Bom, quando eu entrei na faculdade, eu tinha certeza que nunca ia me formar. Os 5 anos de formatura viraram 7, o que é "normal" na faculdade que cursei, visto que há alto índice de reprovação, disciplinas que são anuais e trancam outras, aulas a kms de distância no mesmo dia e falta de tempo pra estagiar. Depois, eu vi que ia me formar, mas não sabia se ia arrumar emprego. A área de alimentos é ampla, mas as vagas, em sua maioria, estão no interior dos estados. E eu AMO morar na capital, o que é um certo obstáculo. Fiz bolsas de monitoria, amava muito, e também de iniciação científica, pra aprender e estar junto à pesquisa. Depois, fiz um estágio obrigatório que gostei bastante, em consultoria. Eu amava as atividades, mas nem tanto a rotina, que é cada dia num lugar, praticamente sempre em locais novos. Sou a pessoa do horário e de "ter raízes". Então passei a buscar emprego. Não estava em mente de seguir carreira acadêmica. Eu AMO a docência, é o que quero pra vida, mas nem tanto a pesquisa. Então meio que sempre fugi da pós-graduação.
Até que um dia fui numa palestra com alunos da pós-graduação, falando sobre como era fazer mestrado e doutorado e eu completamente mudei minha percepção. Levei o papelzinho com a "propaganda" deles pra casa e guardei. Não pensei muito. Mas logo veio a seleção do mestrado e resolvi me inscrever, só pra ver. Na época, estava aberta a todas oportunidades, não tinha algo "não faço" ou "só faço isso". Tudo me era agradável e eu estava disposta a pelo menos tentar, pra ver se curtia ou não. Continuei buscando emprego mas NOSSA estava muito difícil. Acho que somos adultos na pior época, e olha que nem tinha pandemia em 2019 ainda.
Aí passei na seleção. Queria porque queria trabalhar com panificação sem glúten, assunto que amo demais. Aliás, panificação no geral. Depois de várias ligações, conversas e reuniões, consegui as orientadoras maravilhosas que queria e também trabalhar numa linha de pesquisa que amo *-* consegui juntar 3 assuntos que sou apaixonada: panificação sem glúten, influência de aditivos e uso de tecnologias emergentes (micro-ondas, pra ser mais precisa). O Mestrado foi muuuito mais gratificante e "de boas" do que a faculdade. Digamos que só nele me encontrei no que fazia, pôr a mão na massa nos alimentos, já que na faculdade é tudo meio atropelado e não conseguia exatamente o que queria fazer. Fiz disciplinas que gostei, me senti extremamente valorizada e realmente foi uma época bem mais leve. A pandemia veio pra bagunçar tudo, mas com planejamento deu pra fazer um projeto bem legal e que conseguimos concluir.
(esse post vai ser enorme, faça uma pausa, beba uma água, atualize o feed do Instagram)
Só queria dar uma explicação sobre o que é o Mestrado, vejo que muita gente (e até eu) fica confusa: depois da graduação, você pode optar por fazer um curso de Pós-Graduação. Esses cursos se dividem entre "lato sensu", pós de curta duração, geralmente, especializações pagas, ou "stricto sensu", que são as de longa duração, mestrado e doutorado. O mestrado tem duração de 2 anos e o doutorado de 4 anos. Em caso de você ser aluno de bolsista de pós-graduação, subsidiado pelo governo, recebe uma bolsa no valor de R$ 1500 ou R$ 2200 (mestrado ou doutorado, respectivamente), e precisa ser aluno de dedicação exclusiva. Ou seja, não pode trabalhar fora. E tem mais todos requisitos pra obtenção do título, dentro do período previsto, que variam em cada programa. No meu, é necessário apresentar um projeto, submeter um artigo, presenciar eventos, ter proficiência em inglês, e mais umas coisinhas. São atividades que tomam muito tempo, e não ficam só dentro da universidade. O trabalho vai pra casa, não tem férias previstas, não tem INSS, plano de saúde, VT, VR, nada. Aliás, o trabalho não tem hora pra acabar. Dependendo do projeto pode ser que você vire a noite na universidade coletando dados. A pesquisa no Brasil não tem o reconhecimento que necessita, e o que eu mais ouvi nesses 2 anos foi "faz mestrado, mas não trabalha?". Muito convivi com colegas frustrados e cansados, com resultados não satisfatórios, ou que numa queda de luz perdem o trabalho de semanas. É complicado...
Bom, depois de abre e fecha da universidade, pandemia e tudo mais, consegui defender minha dissertação! Uhuuu! Eu estava bem tranquila e segura no dia, tenho em mente que sou a pessoa que mais sei do meu trabalho. Confio demais no trabalho das minhas orientadoras e foi um dia bem tranquilo. Só não foi presencial, como eu queria. Mas deu tudo certo! Ainda falta submeter o artigo e homologar as correções da dissertação, mas posso dizer que sou Raquel, Mestre em Ciência e Tecnologia de Alimentos yayyyy!
Claro que fiz uma make toda trabalhada no delineado colorido (vejam o vídeo lá no Insta!) e uma mini comemoração depois, fiz um risotão com bebidinhas porque é o que mais amo na vida.
Bom, e agora??
Sendo bem sincera, não sei hahahaha Eu tenho muito a ideia de ser professora, mas também me agrada trabalhar junto à indústria, e fazer doutorado... tudo junto, dá? Fico pensando se um dia alguém sabe exatamente o que fazer. Estou tirando uns dias pra descansar e não pensar muito nisso, porque acabo entrando num loop infinito de pensamentos um tanto disfuncionais... espero realmente ter uma "luz" em breve que me diga por onde seguir. Fico pensando no futuro do país, no que fazer, no que quero ser... um pensamento leva ao outro e eu entro em curto hahaha
Bom, foi isso! Só queria contar pra vocês um pouco da minha trajetória. Comenta aí se leu até o fim e me diz se você sabe o que fazer da vida hehe Um beijão e até quinta!

















